segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Férias 2014

DIA 1

Pela primeira vez nos últimos 10 anos terei a oportunidade de um descanso (diga-se super merecido) de 3 semanas.
Atacar um pedaço de pizza e completar o combo com um super café preto, quente e com muito açúcar (meu favorito) logo no café da manhã foi a primeira sensação de liberdade que experimentei hoje (quero experimentar muuuuuitas).
Um sinal claro de que " hey há algo diferente acontecendo aqui! Férias sua linda obrigado por você existir!!!!"
Sempre é divino quebrar regras no quesito dieta, o paladar e os prazeres da culinária são indescritíveis e eu estou particularmente interessada em não me privar de absolutamente nada!
Corpinho vamos entrar em um acordo: Dieta é para dias tradicionais nem pensar em fazer dela elemento de meus momentos felizes nessas férias de verão/2014. Portanto comporte-se, resista e se segura que eu vou abusar!!!


                           

O almoço, seguindo o tema alimentação/prazer/felicidade foi uma celebração compartilhada com meus amigos do karatê.
Aquela alegria imensa, que eu já conheço bem, em estarmos juntos e um agradecimento infinito por este ano inteiro de companheirismo, dedicação e crescimento mútuo. Os desafios foram incontáveis mas nós chegamos lá! Concluímos positivamente mais essa etapa de crescimento técnico e filosófico que apreciamos e ansiamos tanto.
Definitivamente somos loucos por karatê!!!
Sempre digo que praticar karatê foi a mudança mais significativa em minha rotina pois representa na maioria das vezes a minha mais importante injeção de alegria pra recomeçar tudo no dia seguinte.
Sou muito grata por essa oportunidade que a vida me apresentou de conhecer pessoas maravilhosas que hoje são meus amigos queridos e com os quais posso sempre trocar abraços e sorrisos sinceros a cada reencontro.

Em nosso tradicional amigo secreto fui agraciada por poder presentear o Vinicius Sangali. Ele foi nos últimos meses sinônimo de companheirismo em todos os treinamentos. Teve o dom de cativar minha amizade de um jeito único e hoje posso dizer sem medo de me equivocar que já não faço a menor idéia de como seriam meus dias sem o privilégio de o ter ao meu lado. Exemplo de amizade que nasce a partir de atos inesperados de prestatividade e bondade. Vamos juntos para muito além da preta Vini eu não tenho dúvidas disso!
                                                                   


Na minha vez ganhei um par de havainas e quem me conhece sabe que eu as adoro! A cara de felicidade já diz tudo!!!

Ganhei da querida Sabrina, mãezona de toda essa Família Taiyokan e minha amiga da alma, um lindo retrato com a recordação de nossa foto pós exame de faixas altas. Meus olhos se encheram de ternura ao recordar esse dia tão significativo e do qual sempre vou me orgulhar de ter feito parte. A mais linda imagem de todos esses anos de treinamento agora estão eternizadas nesse postal e aonde quer que eu vá levarei comigo e lhe dedicarei um lugar de destaque como símbolo de alegria e gratidão.
                 

Tivemos a grata surpresa de encontrar no restaurante o eterno narrador esportivo Osmar Santos. Me surpreendeu a alegria em seu sorriso e a felicidade em seu olhar ao ser reconhecido mesmo tantos anos depois do acidente que o separou de toda a sua trajetória profissional. O nosso carinho por ele e o quanto ficamos contentes está registrao nessa foto linda
                      

Na última etapa desse dia, uma noite deliciosamente romântica de edredon, filme e friozinho
abraçadinha com meu amor. Aquele sentir-se protegido e ao lado de alguém especial com o dom de me surpreender sempre mesmo que quase 1 década de convivência já tenha se completado.
Enfim estou super feliz com esse primeiro dia e ansiosa pelo que ainda virá ( eu sei que será incrível!!!)
Esquecendo o tempo cronológico.
Agora a única hora que importa é a de ser e fazer feliz!
Vamos viver tudo o que há pra viver vamos nos permitir!!!!

Lição do dia: Seja sempre o Abraço que deseja receber!









domingo, 6 de outubro de 2013

Quando se trata de usted, tengo un montón de palabras

Sexta-feira, 04 de Outubro de 2013.
Tenho comigo entradas para o recital de Fernando Cabrera que aconteceria as 21h no Sesc Belenzinho.
Estou no outro extremo da cidade, tenho 30km para percorrer em um período de 3 horas, e em São Paulo, numa sexta-feira às 18h significa provavelmente ter dificuldades para chegar ao recital.
O trânsito estava lento, algumas interdições pelo caminho fizeram que o percurso se tornasse ainda mais longo.
Entre buzinas e barulhos intermináveis de uma cidade que não para nunca.

Meus pensamentos estavam repletos de reflexões : " Fernando Cabrera, será que ele é mesmo " o Caetano Veloso do Uruguai" como dizem os críticos brasileiros?", " Será que conseguirei compreender suas canções com este meu espanhol tão primário?", " Outros brasileiros além de mim estarão lá? Uruguaios também?", "
Enquanto criava em meus pensamentos expectativas sobre o que iria viver. Finalmente às 20:30h cheguei ao meu destino.
Ainda me restava meia hora antes do show, fui a cafeteria, estava ansiosa, e um tanto cansada do meu dia de trabalho. Precisava comer e beber alguma coisa.
O show estava marcado para acontecer no Teatro do Sesc, assim que quando cheguei não haviam muitas pessoas naquele andar.
Tomava meu café e observava as pessoas que entravam. Não havia outro evento naquele piso, assim que conclui que todos aguardavam por Cabrera.
A primeira impressão que tive é que se tratava de um público distinto. Havia senhoras e senhores sexagenários alguns portando bengalas, não é um costume encontrar pessoas desta idade indo a recitais no Brasil, e isso já me surpreendeu.
Depois a grande maioria do público era formada por pessoas como eu, com idade próxima aos 30 anos, um pouco mais talvez, mas seguramente entre 30 e 40 anos.
Homens de 30 anos com barba não é algo tipicamente brasileiro, e o lugar estava repleto deles, mulheres com roupas alternativa também não. Me sentia fora de contexto, eu era completamente diferente de todos naquele ambiente.
Nas mesas ao meu redor, o idioma predominante não era o português e sim o espanhol, meus ouvidos estavam loucos tentando compreender sobre o que conversavam.
Naquele momento não estávamos em São Paulo, estávamos em um lugar qualquer de Montevidéu.
Tudo isto para mim compunha parte do show, eram elementos muito particulares e eu estava completamente encantada.
Às 20:50h, funcionários do local abriram as portas do Teatro para que o público pudesse se acomodar.
Me sentei a pouquíssimos metros do cenário, a minha frente, estava um daqueles senhores sexagenários acompanhado de um daqueles "homens de 30" provavelmente se tratavam de Avô e Neto, de uma estória que começou em terras uruguaias e prosseguiu em solo brasileiro.
O senhor perguntava em Espanhol ( a maioria das coisas que ele dizia eram realmente perguntas), o homem lhe respondia em português, e era como se os dois falassem a mesma linguagem, se entendiam perfeitamente.
Pontualmente às 21h as luzes do teatro se apagaram e o locutor com sua voz grave e bonita transmitia-nos suas orientações sobre ser proibido filmar e  fotografar, sobre a localização das saídas de emergência e todo aquele protocolo que se deve cumprir antes de começar qualquer espetáculo.
Neste momento, dois fatores mais uma vez me traçaram paralelos entre Brasil e Uruguai.
Primeiro: Os recitais no Brasil nunca começam no horário programado. Sempre há atrasos, um artifício que os artistas utilizam para aumentar a expectativa do público ou mesmo para demonstrarem o quão grandiosos e importantes são.
Segundo: Não dei a menor importância para as orientações sobre "proibido filmar e fotografar", ninguém nunca fiscaliza isto, nunca me impediram de gravar, esta é seguramente uma informação totalmente protocolar que a casa de eventos deve cumprir. Assim que, estava com minha câmera preparada para registrar todo o espetáculo como é de meu costume proceder.

Ao término das instruções finalmente foi anunciado Fernando Cabrera, o público presente aplaudiu fervorosamente, como se há muito tempo esperassem por aquele momento. Seguramente esperavam.
Cabrera, com seu traje elegante, saudou ao público com uma reverência. Sentou-se ao fim das palmas. Um silêncio profundo tomou conta do teatro. Ouvia-se claramente todos os sons de Cabrera conectando seus instrumentos musicais. Cada segundo parecia durar uma eternidade.
Havia um pouco de tensão no ar, gerada pela expectativa de todos que aguardavam ouvir os primeiros acordes e a singular voz do cantor.
O silêncio foi quebrado, e o teatro se encheu da doçura dos acordes e da ternura da voz de Fernando.
Isso para mim era quase que inacreditável, temos aqui o maldito costume de tentar cantar mais alto que o artista para externalizar nossas emoções.
Tenho certeza de que a grande maioria das pessoas presentes sabia cada um dos versos de todas as canções que nos foram apresentadas, mas o importante ali não era externalizar nossas emoções e sim captar em nossos silêncios toda a poesia presente naquele homem, algo grandioso estava acontecendo naquele momento e nós, cerca de 200 pessoas presentes, eramos as únicas testemunhas disto. Isso era mais do que um privilégio.
As cinco primeiras canções do set list foram: Punto Muerto, La Casa de al lado, Caminos en Flor, La garra del corazón e Al mismo tiempo.
As 3 primeiras canções soaram ininterruptas, sem nenhuma intervenção do público, todos estávamos estáticos, era maravilhoso o que chegava aos nossos ouvidos.
Ao término da 3 canção, de uma maneira muito divertida com um pausado " M-u-y  b-u-e-n-a-s   n-o-c-h-e-s" Cabrera arrancou risos da platéia.

Eu já estava completamente convencida de que aquele homem era realmente um grande artista, de uma linhagem muito singular, de uma compreensão as vezes não tão acessível ao grande público mas de pura maestria.
Eu conhecia poucos temas, mas isto não me impediu de perceber quando se tratava de uma canção espetacular.
Todos os meus sentidos estavam voltados para absorver o máximo de sensações possíveis, não queria perder nenhum detalhe. "Quando será a próxima vez que poderei desfrutar de tudo de novo? Não sei!" Algumas oportunidades são únicas e eu agarrei esta com todo o meu coração.
Quando começaram os primeiros acordes de "Escondido" fui gentilmente convidada a interromper minha filmagem. Isto nunca me havia acontecido, assim que fiquei um pouco inerte e obedeci ao comando.
O que se seguiu depois foi mais lindo ainda, os próximos temas  foram cantados e tocados por Cabrera como se tudo estivesse completamente cheio da sua verdade, e eu acredito que realmente estava, me dei por convencida disto quando desabotoando a sua camisa, com a voz um tanto embargada, os olhos trêmulos e cheios de tristeza ele disse " a próxima canção sempre me emociona muito e me deixa nervoso, se chama " Lisa se casó"
Que intensidade em cada verso! Quase pude tocar a dor que ele sentia quando dizia cada palavra desta canção.


Me aproximei do altar

Era a minha vez de ler
Não repare nunca Deus
A ingênua comédia que os homens interpretem

Os outros dois pontos que me marcaram muito durante o recital foram quando Cabrera cantou "Te abrace en la noche"


Te abracei a noite

Com aquele beijo desconhecido que se foi contigo

Quase não pude conter as lagrimas em meus olhos, nem tão pouco tinha a intensão de fazê-lo. Foi como um golpe forte, meu coração se apertou em um instante profundo era como se aqueles versos contasse um pouco de mim, um pouco de minha estória.
A outra grande canção, que chegou em mim como um raio foi " Nunca te dije te amo"


Nunca te disse te amo

Nem vou te dizer
São palavras que qualquer um
Diz com certeza ou não
Nunca te disse te amo
Mas te amo como nunca amarei

Outros tantos foram os momentos especiais, como quando cantou " Viveza" acompanhado de sua sua pequena caixa, um ritmo tão próximo do samba brasileiro. A medida que a batida na caixa se alterava em minha mente se aclarava o contexto imagético de todos os elementos da canção, me senti como quando estive a pouco mais de um ano na centro da Cidade Velha vendo passar por mim todos os personagens da canção: A secretária, o gato, a fina chuva, o cheiro das frutas no Mercado Municipal, o rato com suas ganas de sobreviver.

Poucas canções me propiciam esta sensação de me transportar para o lugar narrado. Recordar este momento me emociona.
Ao término de 60 minutos de show Cabrera agradeceu a presença de todos e se retirou do cenário.
Nós, público presente, o aplaudimos por cerca de 5 minutos em pé até que ele regressasse ao cenário.
Contente com o que se passava, com um largo sorriso estampado em seu rosto nos dizia algumas palavras enquanto muitos da platéia aproveitavam daquele momento para implorar que tocasse sua canção favorita, muitos foram os temas solicitados mas Fernando escolheu " La Balada de Astor Piazolla" para nos presentear uma vez mais.
Explicou que era a escolhida por em determinado momento " nombrar a Tom Jobim, uno de mis referentes en la música, soy "fã", fanático de el"  e seguiu explicando que fez esta canção quando soube que Astor Piazolla havia sofrido um acidente vascular cerebral, que se encontrava em coma e que queria que com aquela canção suas palavras lhe chegassem de alguma maneira. Disparou seus versos e acordes uma vez mais.


Seu coração me faz recordar as mudanças

Da hormonia de Tom Jobim

Ainda tivemos o privilégio de ouvir umas 4 ou 5 canções mais. Ovacionado novamente agradeceu a presença de todos e se despediu com uma frase emblemática que nunca em minha vida eu havia escutado e que confirmou todas as minhas impressões sobre aquele homem:

                                                       HASTA SIEMPRE


Me retirei do teatro com a alma repleta de sensibilidade, a música sempre é um mecanismo muito intenso em minha vida é algo que me permite sempre tocar o que há de mais sincero em minha existência.
No saguão do Teatro me dirigi a bancada onde estavam expostos para venda o cd "Viva La Patria", o DVD "Intro" e o livro "Mudança" editado somente no Brasil, de maneira bilingue no mesmo exemplar, com poemas e canções de Cabrera. Comprei todos!
Perguntei se ele iria autografá-los e ouvi um sonoro " Sim, é só aguardar". 

Aguardei e enquanto aguardava uma doce voz feminina surpreendida me perguntou como eu conhecia Cabrera. Lhe respondi que tenho amigos no Uruguai e que me apresentaram a música de Cabrera. Ela realmente estava surpreendida e eu um tanto em dúvida se ela era brasileira ou não, tinha um português excelente e estava acompanhada de um homem que sem sombra de dúvidas era uruguaio.
Me sentia nervosa, na expectativa de ter um instante com Fernando, encerrei brevemente a conversa com aquela mulher e me arrependi amargamente de não ter prosseguido, me parecia uma pessoa interessante, daquelas que sabem traduzir em excelentes palavras todas as suas opiniões.
Pouco depois surgiu Cabrera, de braços abertos e sorriso sincero. 
Havia uma mulher antes de mim, prestei atenção no que eles conversavam. Ela estava visivelmente nervosa e lhe contava que o havia conhecido por kevin, suponho que se tratava de Kevin  Johansen.
Ela se despediu, era a minha vez, foi ele quem disse primeiro:

_ Hola que tal?
_ Hola, muy bien y vos?
_De donde sos?
_De acá!
_Ah! De San Pablo, que bien!
_ Compraste todos?
_ Por supuesto! Ya los quiero muchísimo
_ Como es tu nombre
_ Júnnia. J-U-N-N-I-A

_ Es un invento de tus padres?
Neste momento nos olhamos e começamos a rir com muita alegria, lhe respondi que era algo assim. Uma broma uruguaia, Fernando me fez uma broma!!!! Nunca me esquecerei disto!
_Gracias por regalarnos tanta dulzura e tanta ternura en tus canciones!

_ Gracias a vos por venir!
_Me regalas una foto?
_Claro!


y ya no hace falta decirles nada!































segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Recordar, avaliar e sentir 2012


Já faz alguns dias que me sinto tentada a revisitar o meu ano de 2012, em parte pela nostalgia de recordar tudo, em parte para fazer um balanço das minhas ações.
Levei um bom tempo para criar a coragem necessária para começar a escrever estas linhas, nem sempre é fácil ir ao encontro do seu próprio eu, tão pouco é fácil se deparar com seus erros e reconhecer suas falhas e fragilidades.
Penso que fazer isso seja necessário ao final de cada ciclo, há que se permitir um constante processo de auto avaliação. Talvez desta forma nos tornemos pessoas melhores, eu sinceramente acredito nisto.
Embora eu escreva estas minhas reflexões em um canal público, o meu interesse antes de qualquer coisa e me encontrar, me reconhecer e me identificar em todos estes momentos para que esse 2013 que bate a minha porta porta ser realmente "melhor".
Pensei em como não me esquecer de cada detalhe que compôs este meu ano, e cheguei a conclusão que relembrá-lo de forma cronológica seja a maneira mais viável de tornar o entendimento dos fatos um tanto mais "ordenados".
Vi  Janeiro de 2012 chegar na minha cidade natal, normalmente é sempre assim que inicio meus anos, mas os dias que se sucederam a chegada deste ano que até então era "novo"  se tornaram um pouco além do habitual. 

Normalmente comemoro a passagem do ano com minha família, na casa dos meus avós, e já no dia seguinte embarco de volta para São Paulo para retomar minhas atividades de trabalho. 
Este ano pode ser um pouco distinto, tive alguns dias a mais de férias e pude ir com minha mãe e parte da minha família passar alguns dias em Ilhabela, litoral norte de São Paulo.
Foram dias mágicos, de descanso acompanhados de uma paisagem muito singular, uma dádiva aos olhos de quem a pode contemplar. Me trouxe uma carga de energia positiva para iniciar minha jornada, e creio que foi um bom modo de dizer " este ano será diferente"

                           
Depois, no inicio de Fevereiro uma grande e singular experiência: Competir no Sul-Americano de Artes Marciais realizado em Assunción/Paraguay.
Enquanto eu e os atletas da academia Karate Taiyokan nos preparávamos para este evento, em um dos nossos treinamentos nosso Sensei Édnei disse que independente de resultados e medalhas em nossa bagagem de volta o mais importante de tudo que estavamos prestes a viver seriam as experiências e as trocas de vivência que teríamos adquirido.
E realmente foi assim, tivemos um quadro vitorioso, com mais de 30 troféus, eu consegui lograr o 3º lugar nas lutas em minha categoria e o 1º em Kata apresentando o Heian Nidan.


No entanto o que realmente ficou de mais importante foi a troca de relacionamentos, primeiro com a minha equipe, pessoas que aprendi a amar e respeitar antes de qualquer coisa. Pessoas que contribuíram  nestes dois anos que praticamos Karatê para que realmente eu me tornasse um ser humano melhor para mim e para os outros.

Depois com as outras pessoas com as quais competi, as quais vi competir e a troca de vivência com os atletas da América do Sul. Alguns contatos que mantenho até hoje, pessoas que desejo reencontrar em breve na próxima edição do torneio marcado para o início de Fevereiro de 2013.
Março sempre é um mês emotivo, é o tradicional primeiro encontro anual no calendário legionário. Encontro que tem o toque especial de ser realizado no parque do Ibirapuera.
Realizado sempre próximo  ao dia 27, dia de nascimento do grande líder dessa nossa Legião Urbana.
As tardes em que nos reunimos para cantar e reviver a obra dessa banda tão especial para nós é sempre muito mágicas.
 Estar entre pessoas que compartilham o mesmo amor por canções lendárias, pessoas com sentimentos nobres e de coração sempre contente é um momento de encontro com o que há de mais sincero em mim.
Lá pude fazer amizades sinceras, pessoas que tem uma relevância enorme na minha existência e das quais não desejo jamais me separar.

Abril ahhhhhhh Abril será lembrado como o mês em que realizei um grande sonho. Quem me conhece bem sabe do meu amor pela Legião Urbana, e toda a sua influência sobre a minha vida. Este sonho que realizei em Abril está intimamente ligado a Legião Urbana e comecei a sonhá-lo no dia 27 de Março de 2010, assistindo ao Programa " Altas Horas" em que foi feita uma linda homenagem pela comemoração dos 50 anos de Renato Russo, se ainda estivesse vivo.
Apresentavam-se o guitarrista Dado e o baterista Bonfá, membros da formação original da banda, e seus convidados, a maioria deles músicos e cantores Uruguaios.
 Eu estava emocionadíssima, afinal era uma homenagem ao meu ídolo.
A mais grata surpresa no entanto ainda me iria acontecer quando Seginho Groisman convidou mais um cantor para se apresentar naquele evento.

 O vi entrar timidamente e ocupar o seu lugar no palco, cantou " Quase sem Querer" canção do chamado " Lado B" da Legião e que teve  versçoes memoráveis entoada por Renato Russo.
 Aquele homem, até então um desconhecido para mim, trouxe para a canção aquilo que mais me admira na obra da Legião Urbana: A Verdade. 
Ele cantou com a alma, de olhos fechados e bem apertados, munido de um espírito francamente legionário que eu posso reconheeer com apenas uma troca de olhares.
 Ao fim da sua apresentação, sem dúvidas a mais intensa daquela noite, Serginho fez algumas perguntas e então exibiu o DVD " Normalmente Anormal" da banda daquele cantor, o seu nome é Sebastian Teysera, a sua banda La Vela Puerca e hoje o significado que tem para mim é tão grandioso que minhas palavras não saberiam nomear.
Em 13 de Abril, estava eu, no Aeroporto Internacional de Guarulhos, embarcando rumo a Montevidéu para assistir a 2 apresentações de La Vela Puerca no magnifico Teatro de Verano.

                          

Foram duas noites únicas, em que cantei com o coração contente todos as canções que desde o dia 27 de Março de 2010 passaram a me acompanhar, todas elas cheias da minha verdade, todas elas traduzindo exatamente o que há de mais intenso em mim.

Também foi em Montevidéu que pude receber o abraço do meu querido amigo Argentino Lionel, foi ele quem me tornou possível sonhar toda esta louca estória, quando em um contato virtual me ajudou a conhecer a banda e  a sua estória no cenário do rock uruguaio, foi ele que em um ato de grande amizade me enviou todos os cds e o dvd de La Vela para que eu os sentisse mais próximo a mim e pudesse enfim compreender a grandeza daquela banda.
 A ele minha eterna gratidão, e a minha mais devota amizade.
                             
Quando conheci a obra de La Vela, me prometi que não deixaria escapar a oportunidades de vê-los tocar ao vivo, pois uma de minhas maiores lacunas certamente será não ter visto um concerto da Legião, claro que foram questões obvias que me impossibilitaram, eu era uma criança, eu vivia a 1200 km de São Paulo e todo este meu amor só foi crescendo com o passar dos anos quando a banda tristemente já havia consolidado o seu fim.

 E como realizar um sonho vem sempre acompanhado de mais surpresas do que podemos imaginar, lá estava Dado-Villa-Lobos dividindo o palco com Sebastian, Cebolla, Santi, Coli, Nico, Rafa, Pepe e Alê participando de 4 músicas e para o meu delírio entoando em terras Uruguaias " Que país é esse" noooooosssa a adrenalina que dominava o meu corpo me fez pular muito mais alto do que eu poderia imaginar.


Era chegado o momento mais singular de todos, estar ao lado daquele homem que vi entoar magnificamente uma linda canção em Março de 2010.
 Estar ao lado de um ídolo, poder lhe contar sobre os meus sentimentos, poder lhe presentear com algo que sei lhe era precioso ( um box da Legião Urbana) e registrar isto em uma linda foto é uma das imagens mais significativas deste meu ano que se encerra no dia de hoje.
Caminhar pelas ramblas de Montevidéu, conhecer a beleza da cidade, estar em contato com o idioma, a culinária ( muito bons no preparo de massas e parrilhadas mas sinceramente não gostei nada nada do tradicional " chivito") acompanhar  o modo de viver, de ir e vir daquelas pessoas, as vezes muito parecido com o nosso, as vezes tão distintos também é uma linda recordação deste meu ano.





Abril seguiu me trazendo bons ventos, novas pessoas, e marcou o início de uma convivência que me acompanhou ao longo de todo o ano, um legionário, um velero, um amigo, um ser encantado que ainda não se teletransportou do meu mundo virtual mas que já o sinto como sendo parte do que há de melhor em mim. Me reservo ao direito de manter essa linda estória apenas em minha mente e em meu coração, que é a morada perfeita para tudo aquilo pelo qual  sentimos um verdadeiro  encantamento.
 Maio foi um mês de muita espera, esperar 29 dias, contar cada um deles até que chegasse o dia de sentir a energia do Tributo MTV Legião Urbana, foram duas noites únicas e inesquecíveis, em que eu, juntamente com uma legião de 16 mil alucinados celebramos a beleza e a memória da maior banda de rock nacional. Tenho muitas recordações dessas duas noites, a maioria delas se traduzem em sensações, em sentir a energia, o fervor, a vibração, a devoção e principalmente a emoção de uma multidão cantando clássicos que certamente nortearam toda a trajetória de suas vidas assim como aconteceu com a minha própria vida.
                           
                             
                            
                           
                           


Junho é o mês do meu aniversário, completei minhas 26 primaveras, foi um mês marcado principalmente pela espera, um mês de muita reflexão, de muitas dúvidas, de muitas incertezas mas ao mesmo tempo em que havia tudo isto também havia a alegria de me sentir viva, com sentimentos a flor da pele, experimentando tantas sensações, me questionando e me reinventando a cada amanhecer. Pude me reciclar, reafirmar muitos direcionamentos, mudar alguns caminhos. Foi um mês de grandes descobertas. Talvez o mês mais mágico de 2012.

Julho foi um mês de total entrega ao trabalho, daqueles meses que necessitamos trabalhar 14, 15 horas por dia mas que ao final da jornada nos permite desfrutar daquela sensação gostosa de " dever cumprido"

Me proporcionou lindos momentos em família como o fim de Semana em Paranapiacaba
E também foi em Julho que pude presenciar ao lado de grandes amigos bem de pertinho o Show do meu grande ídolo Marcelo Bonfá, ouvir soar suas baquetas com toda a destreza com a qual as dominava no palco me fez contemplar com olhos deslubrados cada segundo daquele show.
Não me lembro muito bem de como foi o meu mês de Agosto, provavelmente algumas frustrações típicas desse mês conhecido como " o mês do azar" tenham criado em mim um certo bloqueio que
me impede de revivê-los. Bem provável para que os sofrimentos oriundos dele não façam morada em meu coração novamente. Ficam então duas imagens deste mês, uma bela tarde em Santos e uma espetacular foto ao lado do craque Neymar, aquele que com toda a sua alegria e com a sua magia em fazer a arte de jogar futebol ser novamente encantadora dá a todos nós brasileiros a confiança de que em 2014 o mundo será novamente nosso.
                                  
                                 
Setembro, bem, setembro trouxe a a magia dos 15 anos da minha sobrinha Mirella, foi uma celebração muito linda, poder contribuir de certa forma para o crescimento de uma garota tão meiga é incrível, presenciar a passagem da sua infância para sua vida adulta me faz sentir também responsável pelo seu futuro. Espero contribuir da melhor maneira possível para que sua vida seja linda.

 Outubro me fez conhecer a dor da perda. Perdi meu avôzinho lindo, no dia em que eu já considerava o dia mais triste do ano, 11 de Outubro, dia também que Renato Russo foi viver lá no céu.
 É difícil para mim entender essa " passagem" já sofri muito em pensar que não ouvirei mais o seu " Deus te abençoe", nem tão pouco poderei segurar em suas mãos frágeis trazendo comigo toda a minha saudade para lhe dizer " Bença vô, tudo bem?" e ao final da minha interrogação escutar uma resposta sempre positiva.
Depois que ele partiu eu não voltei mais a Turmalina, não entrei na casa dele e sinceramente não sei a intensidade que isso terá em mim. Sofro ao pensar na chegada deste dia. Meu avô sempre foi um herói para mim, pensei que ele jamais pudesse partir.

 Novembro chegou e se foi sem nenhuma maestria, seria tão ruim quanto Agosto não fosse o mês que marcou a primeira vez que eu pude estar de férias com todos os membros da minha família em um lugar que não fosse a nossa casa em Minas. Fomos todos para Ilhabela, que dias lindos, ter mamãe, papai, irmãos, netos, genros e noras todos juntos.
Meu pai estava irreconhecível, aquela sua seriedade cotidiana deu lugar a uma molecagem sem igual, a ternura da minha mãe, o carinho dos meus irmãos, a doçura dos meus sobrinhos fizeram daqueles dias um encontro particular com Deus.




E Dezembro se despede hoje como um mês de muito trabalho e de muita reflexão. Contei ansiosamente os dias até que chegasse o de número 22. Era o dia marcado para que eu regressasse a Turmalina para comemorar com minha família a passagem do Natal e a chegada do Ano Novo. No entanto alguns contratempos me fizeram cancelar a viagem e tive que me acostumar com a ideia de permanecer nesta cinza e fria cidade de São Paulo.
Chorei muito com este impedimento de estar junto daqueles que amo, mas hoje, no último dia do mês vejo que pude usar deste tempo para reciclar minha vida e meus pensamentos. Estar sozinha nem sempre é estar em ócio. Fiz destes dias tempos de renovação, de aparar as arestas, um tempo de preparação para receber 2013.
Pensei que o Natal seria triste longe de casa, mas me esqueci que aqui também, há 8 anos, é de certa forma minha casa, e que também tenho parte importante da minha família aqui.

Pude trazer essa parcela da minha família para celebrar o nascimento do menino Jesus em minha casa.
Foi uma noite em que pude me sentir muito querida por eles, e pude ver que se os nossos planos são diferentes dos de Deus, temos que confiar porque certamente os Dele são muito mais sábios.


 Apenas duas coisas são atemporais em 2012, a primeira delas é o meu amor pelos meus sobrinhos Giovanna e Heitor, eles são a maior alegria da minha vida, cada dia que acompanho como eles se desenvolvem é de certa forma  um dia a mais que me reinvento, aprendo a todo instante com a delicadeza deles, com a inocência pueril que carregam, com o seu modo tão simples de descobrir essa louca e linda vida.
Depois do amor de mãe é sem margem para dúvidas a melhor demonstração de amor que eu pude experimentar.
Eu conto cada segundo para estar ao lado deles, e imploro que o tempo pare quando estou com eles, eu me entrego por inteiro na arte de transformar o meu carinho em momentos de eterna magia.
A vida certamente tomou um outro sentido depois que ela me permitiu ser " Tia".
E eu sou eternamente grata a Deus por me oferecer esse dom. Amo vocês.






A outra vivência atemporal deste ano foi a nobreza de me entregar a prática do Karatê. A beleza de me encontrar em uma arte milenar, me superar em minhas infindáveis limitações, de crescer enquanto indivíduo, de contribuir para que o coletivo diariamente também seja melhor.
Ter a orientação de um mestre, ter a compania dos meus amigos de Dojo e de reconhecer neles uma particular maneira de se doar para que o o outro seja melhor é a mais completa noção de sociedade humanizada que eu pude viver.
Seja nos preparativos para campeonatos, seja na árdua rotina diária da academia, nos momentos de confraternização, no abraço e no beijo sinceros ao sudarmo-nos ao inicio e ao termino de cada aula, a torcida, os votos de felicidade, o comprometimento e o crescimento, a perseverança e a presença dentro e fora dos tatames, a humildade em aprender e em ensinar, a alegria de compartilhar uma conquista. Tudo isso trouxe para a minha vida uma grandeza inexplicável. Agradeço a cada um de vocês por terem se feito tão presentes na minha vida. Eu descobri em vocês um amor fraternal e vou zelar por ele em cada dia deste ano que está para se iniciar. Muito obrigado meus amigos. Vocês são verdadeiros guerreiros do mundo contemporâneo.












E assim me despeço destas 5 horas que restam em 2012, imensamente grata por ter sido o melhor ano de toda a minha vida, o ano que me trouxe as maiores recordações, os melhores presentes, os melhores amigos, as maiores emoções, as mais intensas realizações, as maiores tristezas também, afinal esta é a maneira mais prática de nos tornarmos melhores, de nos reinventarmos e de redescobrirmos o sentido pelo qual estamos de passagem por aqui.
Eu não quero pedir nada nesta noite em que veremos 2013 chegar.

Eu me coloco de joelhos e agradeço ao meu bom Deus por me permitir no dia de hoje, trazer a tona todas essas recordações, agradeço a Ele por me abençoar a cada nova manhã e rezo para que o ano que vem, para que amanhã seja apenas a continuidade de toda esse mundo encantador que a minha vida se tornou.
Agradeço a cada um de vocês, família, amigos, cada pessoa que cruzou o meu caminho que me moldou, me mudou e estendeu a mão para seguir adiante.
A minha vida é muito bela, e a beleza dela está em poder conviver com cada um de vocês.
O saldo de 2012........ sim foi positivo, foi muito positivo!
E que venha 2013 porque ainda há muito para se viver!
Me acompanhem, estejam comigo é só isso que lhes peço.